Gays e crianças como moeda eleitoral

Cena de interior II, da artista Adriana Varejão: obra estava exposta na mostra 'Queer Museum – Cartografia da Diferença na Arte' em Porto Alegre. DIVULGAÇÃO

Cena de interior II, da artista Adriana Varejão: obra estava exposta na mostra ‘Queer Museum – Cartografia da Diferença na Arte’ em Porto Alegre. DIVULGAÇÃO

As milícias em benefício próprio descobriram como barganhar com a vida dos brasileiros e ganhar adeptos manipulando o medo e o ódio

O fechamento da mostra Queer Museum – Cartografia da Diferença na Arte Brasileira aponta a crescente articulação entre setores da política tradicional e milícias como o Movimento Brasil Livre (MBL). Essa articulação está desenhando o Brasil deste momento – e poderá ter muita influência na eleição de 2018. Nesta coligação não formalizada, velhas táticas ganham aparência de novidade pelo uso das redes sociais, com enorme eficiência de comunicação. É velho e novo ao mesmo tempo. A vítima maior não é a arte ou a liberdade de expressão, mas os mesmos de sempre: os mais frágeis, os primeiros a morrer.

 

Leia na minha coluna no El País

 

 

 

 

A lei não é para todos

(Divulgação)

Cartaz do filme “A Lei é para Todos” (Divulgação)

Como a Lava Jato reforça no país uma ideia perigosa: a de que prisão é justiça

A Operação Lava Jato, mesmo com todas as falhas e abusos cometidos, assim como a vaidade descontrolada de parte de seus protagonistas, presta um grande serviço ao Brasil ao revelar a relação de corrupção entre o público e o privado. Uma relação que atravessa vários governos e vários partidos e vários políticos de vários partidos. E a Operação Lava Jato presta também um grande desserviço ao Brasil ao reforçar uma das ideias mais perigosas, entranhadas no senso comum dos brasileiros, e realizada no concreto da vida do país: a de que prisão é sinônimo de justiça. Num país em que o encarceramento dos pobres e dos negros tornou-se uma política de Estado não escrita – e, paradoxalmente, acentuou-se nos governos democráticos que vieram depois da ditadura civil-militar (1964-1985), reforçar essa ideologia não é um detalhe. Tampouco um efeito colateral. É uma construção de futuro.

 

Leia na minha coluna no El País

 

 

 

Eu+1: uma jornada de saúde mental na Amazônia

Quero compartilhar com vocês um pequeno movimento muito profundo. O movimento de tornar-se Eu+1.

O projeto Refugiados de Belo Monte/Clínica de Cuidado começou com a voz de João Pereira da Silva. Expulso de sua ilha no Xingu, ele dizia do indizível. E, assim, pela transmissão da palavra, por essa coisa poderosa e transgressora que é a escuta, algo se moveu. É do seu João a voz do princípio, a voz que atinge e afeta, rompendo barreiras também no corpo daquele que se deixa tocar.

A palavra foi sendo transmitida, e a clínica de cuidado foi inventada. Mas só tornou-se ato porque 1.305 pessoas apoiaram a realização dessa clínica que se move.

Para contar desta jornada de atenção em saúde mental na Amazônia fizemos um documentário. Ele percorre um delicado itinerário pela experiência singular de cada voluntário, faz uma expedição íntima por desejos e percepções durante a atuação no território.

É um documentário singelo, feito com recursos limitados, com a lente focada na equipe. A expectativa é de que a experiência aqui documentada possa ser compartilhada e debatida nos mais variados espaços. Em casa, na sala de aula, na associação comunitária, no boteco da esquina… E, quem sabe, possa inspirar outras travessias pelos Brasis.

Democracia sem povo

Dizem que as eleições de 2018 estão perto, mas estão muito longe: o crime é agora

Foto: Beto Barata/Fotos Públicas (07/05/2017)

Foto: Beto Barata/Fotos Públicas (07/05/2017)

Se discute muito 2018. Se Lula (PT) será candidato ou estará preso, se o político de Facebook João Doria (PSDB) vai dar o bote decisivo no padrinho Geraldo Alckmin (PSDB), se Jair Bolsonaro (PSC por enquanto) vai conseguir aumentar seu número de votos com o discurso de extrema-direita, se Marina Silva (Rede), a que não é mais novidade, conseguirá se recuperar. Como o PMDB e o DEM se articularão para continuar no poder. Mas discutimos menos do que deveríamos o que vivemos em 2017, neste exato momento. Agora. Neste momento em que um país inteiro foi transformado em refém. Não como metáfora, não como força de expressão. Refém é o nome do que somos.

Leia na minha coluna no El País 

O Supremo e a farsa do amianto

Acompanho o escândalo do amianto desde 2001. E desde 2001 vejo os trabalhadores morrendo sem justiça. Em 2012, fiz uma reportagem em Casale Monferrato e vi uma cidade contaminada por uma fábrica da Eternit, com centenas de pessoas doentes, pessoas que nunca tinham pisado no chão de fábrica, pessoas de todas as classes e profissões. A tragédia de Casale poderá ser a paisagem futura de localidades brasileiras. A produção de amianto aqui começou mais tarde. E o pico dos mesoteliomas (câncer do amianto) acontecerá também mais tarde.

Por tudo isso, precisamos acompanhar com muita atenção o que o Supremo vai decidir nesta quinta-feira, dia 10. O amianto está no corpo dos trabalhadores, está nos nossos telhados, está nas nossas caixas d’água…

Como é possível que, em 2017, ainda se discuta no Brasil se é possível seguir produzindo e usando um material cancerígeno que mata milhares de pessoas e há muito foi banido de dezenas de países?

 

Leia na minha coluna no El País

(Trailer do documentário “Não respire – contém amianto”, Divulgação: Repórter Brasil)

 

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